Brasil: o que podemos fazer por ele?

Nosso país é fenomenal. Tem de tudo e para todos os gostos. Terra de contrastes. Riqueza e pobreza; negligência e ordem; progresso e atraso. Os brasileiros que moram no exterior estão sempre com saudades. Vários de nós têm inveja da segurança e da vida lá fora. Há um sentimento que nos liga e nos apaixona por esta terra, ao mesmo tempo em que nos revolta o descaso do poder público em inúmeras áreas.

Mas o que fazer? Afinal não temos poder para mudar uma nação de proporções continentais. Este pensamento é absolutamente nefasto, pois coloca nas mãos de terceiros o nosso destino. Quantas vezes ouvimos pensamos ou ouvimos frases do tipo: alguém tem que fazer alguma coisa, ninguém faz nada direito neste país, etc.

Nós somos os responsáveis por nosso país, os políticos são o reflexo de nosso voto direto e da nossa vigilância. Nossas ações diárias têm impacto profundo no mundo a nossa volta. Se continuarmos a fazer o que sempre fazemos teremos sempre o mesmo resultado.

Devemos colocar mais atenção em tudo e pensar no resultado que queremos. Como agimos e tratamos as pequenas coisas do nosso cotidiano é como tornaremos o nosso país um lugar melhor.

Creio que devemos agir com mais civilidade e cordialidade buscando tratar dos conflitos em família, no trabalho, no trânsito, no futebol como gostaríamos de ser tratados. Devemos desperdiçar menos água, reciclar o lixo, contribuir para a campanha do agasalho, tratar bem todas as pessoas, animais e o meio ambiente de maneira geral, apagar as luzes quando não tivermos usando, usar mais palavras doces e amigas. Por que não investir nosso tempo e foco naquilo que há de certo e bom e promover e realizar mais obras positivas ao invés de dedicarmo-nos a falar da vida do outros ou evidenciar o que há de errado.

Observe-se! O que você esta fazendo diariamente que pode tornar a sua casa melhor para se viver e não só pra você, mas para o meio ambiente. Como você colabora com o seu bairro, com o seu estado. Comece com coisas simples e que estejam ao seu alcance e passe a perceber o impacto de suas ações positivas nas pessoas a sua volta. O reflexo será positivo, pois o mundo a nossa volta é um espelho que reage as nossas ações.

Então, para responder a pergunta: o que podemos fazer pelo Brasil? A resposta é simples. Para mudar nosso país para melhor, devemos começar por nós mesmos, e fazê-lo todos os dias, mudando-nos para melhor. Experimente. Inspire-se!

De pai para filha Lado a lado, Fabiana e Fábio Gomes administram cabanha que é referência

Fabiana Gomes se formou na profissão do pai, mas depois resolveu mudar de ramo para tocar os negócios dele. Ao abandonar o direito para administrar, ao lado de Fábio Gomes, a Cabanha Catanduva, Fabiana, 30 anos, venceu a resistência inicial do pai com um argumento aprendido com o próprio criador.

– Ele sempre ensinou que temos de fazer aquilo pelo que somos apaixonados. Minha paixão é estar no meio dos animais – conta.

Então, em 2004, decidiu entrar na faculdade de medicina veterinária e colocar a mão na massa. No caso, nas vacas angus, raça que a Catanduva ajudou a desenvolver desde 1990 e em cuja genética se tornou referência nacional. Gradualmente, assumiu mais funções na administração, e hoje comanda a empresa com um estilo bem diferente do pai. Se Fábio é conhecido no meio rural como homem de opiniões fortes, a filha é tranquila e conciliadora.

– Acho que nos completamos – sorri.

O contraste foi bem recebido pelo meio rural. Fabiana não é novata, nem a ela faltam os predicados de qualquer criador. Desde os oito anos, quando o pai criou a cabanha, em Cachoeira do Sul, frequenta a propriedade. Monta a cavalo (planeja voltar a fazer prova de rédea) e gosta mesmo é de lidar com os animais. ZH conversou com Fabiana em uma época conturbada para a família: os preparativos para a 3ª edição do leilão Red Concert, no dia 28.

Para o remate, supervisiona os detalhes, da escolha dos pratos às músicas que vão tocar quando cada um dos 40 lotes entrar em pista. O orgulho da faixa preta de caratê não recomenda considerar Fabiana frágil. Tampouco abre mão das prerrogativas femininas para lidar com a pressão.

– Quando o leilão acabou, no ano passado, desabei chorando – diz.

A quase veterinária mantém um sorriso fácil ao falar de tudo. Da rotina de administrar um negócio de sucesso, das comparações com o estilo do pai, da disposição do noivo Eduardo Xavier em acompanhar a correria de morar durante a semana na Capital por conta da faculdade e, na sexta-feira, correr a Cachoeira do Sul para administrar a cabanha.

Entre o coração e a razão, o papel de Fabiana na Catanduva é muitas vezes o segundo. Um exemplo é sua opinião sobre a nova empreitada do pai – cavalos crioulos. Apesar de compartilhar desde criança a paixão pelos animais, ela vem sendo “um freio”, reconhece. Criar uma marca e um diferencial genético, como a Catanduva fez com o angus, são objetivos que não saem de vista. Para ela, no campo é preciso manter um equilíbrio entre o instinto e o planejamento, entre o prazer de lidar com a biologia animal – que não é matemática, alerta – e a necessidade de manter baixos custos e contas enxutas.

Se Fabiana passou os últimos meses trabalhando para o remate dar certo nos mínimos detalhes, anseia pela chance de ter mais tempo para dar atenção a quem mais gosta: os animais. Afinal, são eles sua grande paixão.

RODRIGO MÜZELL

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2910517.xml&template=3898.dwt&edition=14733&section=1021

A PRÁTICA DA GRATIDÃO

Aos incapazes de gratidão nunca faltam pretextos para não a ter.

Gustave Flaubert

A gratidão está desaparecendo de nossos costumes, esta virtude esta se extinguindo. Fomos, já há algum tempo, invadidos por uma crise de descontentamento endêmico. Sempre temos algum tipo de reclamação a fazer, sobre qualquer coisa. Reclamamos do clima, da política, do cônjuge, do chefe, dos subordinados, da polícia, do trânsito, da jornada de trabalho, da crise, etc. O que esta acontecendo? Será que a insatisfação é genética? De onde vem este ímpeto desenfreado de estarmos sempre descontentes com algo, alguma coisa ou alguém? Quanto a esta pergunta sinto-lhes responder que não há nenhum culpado a apontar a não ser nós mesmos.

Todo o nosso descontentamento por aquilo que nos falta procede da nossa falta de gratidão por aquilo que temos.

Daniel Defoe

Nós somos os motoristas que tornam o nosso trânsito cada vez mais violento, nós somos os pedestres deseducados que se jogam na frente dos carros no centro da cidade. Nós elegemos os políticos que nos representam nas esferas municipal, estadual e federal. Nós escolhemos com quem nos relacionamos, com quem casamos, etc. Então cabe exclusivamente a nós, a responsabilidade de fazer diferente; de cumprir o dever com alegria e de constantemente adaptarmo-nos a novas situações com sabedoria e flexibilidade.

Felizmente bons valores não morrem, podem até ficar adormecidos, hibernando por algum tempo, mas por seu conteúdo superam modismos e tendências e acabam reaparecendo na forma de movimentos sociais e bons exemplos de homens e mulheres que estão mais preocupados em construir do que em destruir, mais interessados em colaborar do que em criticar, mais empenhados em descobrir o que há de certo e bom neste mundo do que cruzar os braços e permitir que nosso lado mais obscuro prevaleça.

Parte fundamental da ética oriental, a gratidão não é apenas um sentimento, mas uma prática diária de ações efetivas, contidas nas pequenas e grandes coisas do dia a dia.

Expresse gratidão com palavras e atitudes. Sua vida mudará muito de modo positivo.

Masaharu Taniguchi

Aqueles que conseguem ser gratos e contentes a cada dia, por mais um dia de vida,que agradecem ao caixa do supermercado, que dão bom dia ao porteiro do seu prédio, perguntam ao chefe como foi final de semana, mudam uma chave muito importante, passam a encarar a vida de uma outra forma. Saem de uma condição reativa para uma mais pró-ativa. Passam a valorizar mais os professores mesmo antes de receber o conhecimento, tornam-se gratos aos pais pela vida de cada dia, gratos aos amigos por tornarem a existência mais divertida e agradável. A gratidão deve deixar de ser uma retribuição a algo que nos foi feito para se tornar uma atitude que permeia nossas vidas a cada instante. Até porque, como nos ensina Machado de Assis A gratidão de quem recebe um benefício é bem menor que o prazer daquele de quem o faz. Que é complementado por Wallace Wahles, A prática diária da gratidão é um dos canais pelos quais a riqueza chegará a você

A gratidão faz com que olhemos ao nosso redor com mais clareza, com mais profundidade e percebamos que temos todas as ferramentas para sermos felizes sem necessitarmos de ninguém, mais sim optarmos por andar juntos. Experimente exercitar a gratidão todos os dias, você vai se surpreender com o resultado. Inspire-se!

Fabiano Defferrari Gomes

Life style coach

Fabiano.gomes@centrofg.com.br

Coisas que a vida me ensinou (O que não pode ser ouvido, não deve ser dito) – DeRose

Não tenha ilusões. Tudo o que você disser a respeito de uma pessoa chegará ao conhecimento dela. Portanto, segure essa língua. Depois não adianta ficar revoltado com a inconfidência das pessoas. É assim mesmo.

Segredo de mais de uma pessoa não é mais segredo. No momento em que você conta seu segredo para uma pessoa da sua confiança, ela também só conta para uma outra da confiança dela e assim sucessivamente. Em pouco tempo, dezenas de pessoas estarão sabendo o seu “segredo”.

E para que contar? Por que essa necessidade de se expor? Sempre que precisar comentar algo sobre alguém, só diga coisas boas. Um belo exercício é: quando começar a dizer algo ruim ou começar a vomitar uma crítica sobre alguma pessoa, reverta a frase e comece imediatamente a elogiá-la. Essa pessoa não tem nada de bom para ser elogiado? Invente!

AHIMSÁ: A NÃO AGRESSÃO

Mahátma Gandhi

Mahátma Gandhi

Esta é uma norma ética da tradição do Yôga que visa aplicação cotidiana e que vai muito além da simples agressão física. Este conceito é tomado de forma muito mais ampla, nos ensina a buscarmos não só a melhoria das atitudes, mas também o amestramento das emoções e a lucidez dos pensamentos, tanto sobre os outros e quanto sobre nós mesmos. Ahimsá(não agressão) trata fundamentalmente de respeito universal e incondicional para com qualquer forma de vida. De qualquer maneira, sabemos que é impossível viver sem incorrer em alguma forma de hostilidade, pois nosso dia a dia nos impele a sermos muito mais reativos do que próativos. Mais importante é tratarmos de nos esvaziar ao máximo da hostilidade e das animosidades, nos esforçando verdadeiramente para isso.

Renato Henriques grande professor de nosso estado nos ensina que, o Yôgin, ao lograr a realização de ahimsá, pode meditar nas selvas sem ser importunado por animais selvagens. O mundo a nossa volta é uma selva e funciona como um espelho, ele manifesta o que é externalizado por nós. Se cultivarmos atitudes agressivas, atrairemos exatamente isso. Em suma, aquele que está em paz, vivenciará ahimsá tanto interna quanto externamente.

Os sútras(aforismos) de Pátañjali , abaixo, ilustram bem a idéia de que ahimsá é uma prática para o dia a dia. Mostra que a não agressão vai além das ações, mas inclui também os pensamentos e as emoções. Nesta escritura da tradição oriental(tradução DeRose), que foi escrita a aproximadamente 2300 anos, vemos que as atitudes e pensamentos agressivos são sempre fruto de nossa própria ignorância e que o fim inevitável da falta de conhecimento sobre nos mesmos é o sofrimento.

Quando se vivencia a não-agressão, a hostilidade desaparece em nossa presença. (II – 35)

Quando surgirem pensamentos indesejáveis, estes podem ser vencidos convivendo-se com seus opostos. (II- 33)

Jamais devemos confundir pacifismo com passividade. O grande exemplo de não violência ativa foi Gandhi, que libertou a Índia da opressão do Império britânico. Sem derramar uma gota de sangue, 700 milhões de pessoas foram libertadas em 1947. Isto está longe de ser passivo, este fato nos mostra que a não agressão pode ser absolutamente ativa.

Ao oferecer ao outro a outra face, estamos demonstrando nosso poder. A capacidade de sermos senhores de nós mesmos e não permitir que outrem seja responsável por nossas reações.

Para fecharmos este pequena reflexão, há uma questão fundamental a ser pontuada. De nada adianta a vivência da não agressão se ela não for verdadeira. Não só da pele para fora. A não agressão dever vir sempre acompanhada de satya – a verdade. A força de ahimsá está na sua vivência honesta, em realmente eliminar de nosso coração os sentimentos e pensamentos agressivos, que são frutos de nossa própria ignorância. Esta não é uma tarefa fácil, pois só alcançaremos este grau de discernimento com disciplina constância e humildade. Inspiri-se!

Fabiano Gomes

fabiano.gomes@centrofg.com.br

Quem foi que disse que a Vida é Fácil?

A simplicidade é o último grau de sofisticação.

Leonardo DaVinci

Quanto mais rápido o mundo gira a nossa volta, quanto mais frenético é o ritmo de nossas vidas, mais ouvimos falar na busca de uma vida simples, no prazer das pequenas coisas e de valores a muito esquecidos. É impressionante como o homo sapiens vive em extremos, parece estar sempre insatisfeito. Isto não é necessariamente uma coisa ruim, pois por obra e graça dessa insatisfação nossa humaninada evolui, constrói, cria coisas novas e se desenvolve. Ao mesmo tempo em que este paradoxo nos leva a realização de grandes e boas obras, nos leva a destruição, desconstrução, e atrocidades que só este extraordinário animal humano pode ser capaz de fazer, como guerras, crueldades, atentados terroristas.

Mas como ter uma vida simples, feliz e cheia de realizações neste tempo em que vivemos? O mundo da diversidade e da complexidade, da inovação e da tecnologia? Como ter qualidade de vida nesta luta diária pela sobrevivência? Bom, meus amigos e amigas, esta resposta é simples, mas jamais simplória. Alias, não creio que exista apenas uma resposta para esta pergunta. Aqui colocarei algumas reflexões que tive nestes mais de 10 anos trabalhando com pessoas.

Começo com a frase da Clarice Lispector que ensina o seguinte: Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho. Para termos uma vida ótima, temos que trabalhar muito. E não falo só para ganhar dinheiro, para sermos felizes temos que nos esforçar diariamente. Cada dia de vida é uma luta, temos expectativas, de família, da sociedade, dos chefes, dos colaboradores, da mulher, do marido para dar conta. Esta é uma empreitada fabulosa, mas que muitas vezes custa nossa qualidade de vida, nossa vitalidade, nossa saúde.

Sempre digo aos meus alunos que é fácil não se estressar na beira da praia ou no alto de uma montanha. Mas o desafio e a arte estão justamente neste mundo alucinado e frenético em que vivemos. Minha dica não é fugir da luta e da pressão, mais ficar cada vez mais forte e capaz de transformar pressão em resultado positivo em todas as áreas de nossas vidas. Essa é a metáfora do carvão que se tornou diamante, pois se deu bem sobre muita pressão durante um longo tempo. Assim somos nós! A vida não fica mais fácil, os desafios só aumentam com o passar do tempo. Quanto mais preparados estamos, quanto mais experiência e sabedoria acumularam, mais e maiores desafios e obstáculos aparecem. Mas esta é exatamente a beleza de nossas vidas: temos a oportunidade de aprender até o final e de mudarmos ou não o rumo que escolhemos; acertar, errar, corrigir, e assim por diante.

Coloque um pouco mais de disciplina e constância em tudo que você faz; e cumpra o seu dever com alegria e satisfação que o resultado será espetacular. Inspire-se!

UMA TERRA SEM PAI NEM MARIDO – Saiba quem são mosos, um povo chinês que vive numa das últimas sociedades matriarcando.

Laura Ancona Lopez | Fotos: Daniel Aratangy

A China é, de longe, um país de homens. E não só na quantidade, já que eles são a maioria. Na política, na vida doméstica e na sociedade em geral, é a figura masculina que dita as regras. É raríssimo ver uma mulher fumar, beber ou sentar sozinha em um bar ou restaurante. Mesmo com a abertura econômica, a China continua sendo um país dominado pelos homens. Por isso, é surpreendente encontrar ali um povo como o moso. Habitante de uma cidade à beira do lago Lugu, no sudeste, ele vive numa sociedade matriarcal, em que as mulheres têm voz, a sexualidade é encorajada desde cedo e não existe a figura do pai. Elas são as provedoras da família.

Tudo na vida dos mosos é diferente do resto da China – e de grande parte do mundo. Dois dos maiores símbolos de poder de uma sociedade – a propriedade privada e o nome de família – são passados de mãe para filha. As mulheres fazem o trabalho pesado: enquanto cuidam das plantações de arroz, os homens ficam em casa, com as tarefas do lar. Eles raramente vão para lavoura e sempre sob o comando delas. Não existe repressão sexual. Pelo contrário, elas podem se relacionar com quem bem entenderem. Depois de escolhido o parceiro, ele deve visitar a pretendida ao anoitecer e ir embora antes de amanhecer. Senão vira motivo de chacota na cidade

Não existem relacionamentos convencionais. Casamento, nem pensar. As mulheres podem ter múltiplos parceiros, mas nunca irão morar com um deles. Os filhos que elas gerarem “pertencerão” apenas à família da mãe. A única figura masculina pertinente às crianças é a do tio, irmão da mãe. É ele que cumpre o papel de pai. “É típico do sistema matrilinear que os tios cuidem dos filhos da irmã”, explica a antropóloga Josildeth Gomes Consorte, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. As diferenças não param por aí. Fisicamente, os mosos também divergem do resto da população chinesa. De ascendência hindu e tibetana, eles têm a pele mais morena e são altos, com o rosto alongado e os olhos maiores do que a média da China. Instalaram- se há centenas de anos em um vale ao redor do lago Lugu, próximo à fronteira de Mianmar (antiga Birmânia). Hoje, são pouco mais de 30 mil habitantes. Os costumes se mantiveram intactos devido ao difícil acesso ao vilarejo. O centro urbano mais próximo – Lijiang, ou a “cidade das lanternas vermelhas” – fica a mais de oito horas de carro por uma estrada sinuosa e de terra.

Com todas essas particularidades, não é de espantar que as mulheres moso sejam mais extrovertidas que a maioria das chinesas, quase sempre sisudas, e que os homens tenham um perfil tímido, quase submisso. O difícil é entender como os mosos chegaram a uma sociedade estruturada dessa maneira. Os registros escritos são poucos, e as causas, incertas. Sabe-se apenas que eles chegaram à região fugidos das inúmeras guerras. “É provável que tenha existido uma assimetria muito grande entre o número de homens e mulheres. Quando isso ocorre, uma das soluções para sobreviver é o matriarcado”, afirma Josildeth.

Existem diversos apelidos para a cidade à beira do lago Lugu: País das Filhas, Reinado das Fêmeas, Terra das Mulheres. As habitantes parecem se orgulhar desses títulos. A-Ke Dama, 27 anos, mora em uma casa em frente ao lago, junto com a mãe, A-Ke Bingmanamu, a chefe da família. Apesar de usar roupas ocidentais, Dama preza as tradições do povo moso e faz questão de passá-las adiante. Ela tem dois filhos pequenos: DinZi Renzong, um garoto de 4 anos, e Dinzi Yangzong, menina de 1 ano. Dama não quer aumentar a prole e, para se proteger, toma anticoncepcional. Seu irmão, A-Ke Cer, é quem cuida os afazeres domésticos.

“Tenho consciência de que a maneira como vivemos é muito diferente do resto do mundo”, diz. “Mas somos muito felizes.” Seus dois filhos são do mesmo pai, um fato pouco comum na região. Apesar disso, o “casal” não mora junto, não se vê todos os dias e ele não exerce o papel de pai – mesmo encontrando as crianças com alguma freqüência. “Já estamos juntos há alguns anos, mas só nos vemos quando temos vontade. Somos amigos, conversamos muito”, conta. E, mostrando uma maturidade surpreendente, ela afirma: “A maneira como as pessoas se relacionam fora daqui é triste. Para ficar junto, é preciso fazer um juramento perante a lei. Isso é uma pressão enorme para o casal. No meu caso, só dá certo porque não existe isso. Ele não faz parte do meu dia-a-dia. Nós nos encontramos à noite, poucas vezes por semana, quando queremos”.

Apesar de ser pouco conhecida, a sociedade moso já virou tema de um documentário. Os belgas Thomas Lavachery e Eric Blavier decidiram passar uma temporada no lago Lugu. O resultado foi a obra A World Without a Father Nor Husband, de 2000. “Sou um historiador de arte e meus professores apresentavam o casamento como um cimento incontornável da sociedade humana. Por isso, a ausência de casamento aqui me intrigou tanto. Tudo indica que os mosos são uma exceção à regra”, conta Lavachery. O que mais chamou a atenção da dupla foi a liberdade feminina. “As mulheres são orgulhosas, empreendedoras e livres em seus amores. Sem casamento, a escolha de parceiros é guiada pelos sentimentos, não pelas considerações econômicas – o que é válido também para os homens”, diz Lavachery. Ao mesmo tempo, os homens pareceram ressentidos. “Eles não são tão felizes quanto as mulheres, alegres e comunicativas. A condição feminina me pareceu invejável.” Nem a Revolução Cultural, nos anos 1960, abalou essa sociedade. Por um tempo, representantes do governo comunista forçaram os namorados informais a se casarem e a viverem juntos e reprimiram a liberdade sexual. Porém, assim que viraram as costas, os mosos retomaram os antigos hábitos. “Todos voltaram para a casa materna e tudo ficou como antes”, relata Lavachery.

Com a abertura da China ao turismo, isso pode mudar. “O que a força e a ameaça do governo não conseguiram realizar, a influência de filmes, jornais e turistas está a ponto de conseguir. Na minha opinião, o que resta da cultura antiga vai desaparecer”, diz Lavachery. Mas a antropóloga Josildeth não concorda. Para ela, é impossível prever algo do gênero. “O fato de os mosos passarem a se vestir como ocidentais e adquirirem alguns hábitos nossos não significa, de forma alguma, que vão mudar. A identidade étnica desse povo é muito forte e sobrevive há mais de mil anos. Tudo indica, portanto, que ela pode continuar”, afirma. “Eles são felizes dessa maneira e já resistiram a todo tipo de investida para destruir seus hábitos.” Só o tempo dirá se os homens mosos um dia conseguirão transformar essa terra num lugar onde pais e maridos tenham voz.

 

Libelo pela Compreensão

Libelo pela Compreensão

Não existe Yôga sem um bom relacionamento humano.

Como Mestre de Yôga, considero requisito principal a capacidade de boas relações humanas e não quero como discípulo, nem como assistente, nem mesmo como amigo, alguém que não saiba se relacionar bem com os demais.

Nós do Yôga, temos uma prioridade no nosso esforço (tapas) pelo aprimoramento: é o cultivo das boas relações entre os seres humanos. Sem compreensão não existe Yôga. Não se admite que praticantes ou instrutores de Yôga não consigam superar uma emoção para evitar desentendimento com alguém.

Não adianta nada fazer lindos exercícios, meditar e portar o ÔM se você responde a uma agressão com outra agressão. É uma vergonha para todos nós quando chega ao nosso conhecimento que um yôgin se desentendeu com quem quer que seja, ou que se melindrou com outrem.

Com o pretexto da franqueza ou da autenticidade muita gente faz grosserias, o que magoa quem está envolvido no mal-entendido e também quem não está. Amizades promissoras são rompidas para sempre. Fecundas carreiras profissionais são destruídas. Enormes prejuízos morais e financeiros são contabilizados por conta de uma cara feia que poderia ter sido perfeitamente evitada.

Não estamos recomendando o fingimento nem a hipocrisia, mas sim a educação e a elegância. Emoções pesadas sujam mais o organismo do que fumar, beber e comer animais defuntos. Não adianta praticar Yôga, meditação, mantras, se você não souber se relacionar bem com as outras pessoas.

Lapide o seu ego, eduque o seu emocional, reprograme a sua mente. Nós não somos pessoas vulgares e toscas, que habitualmente respondem com crueza a qualquer atitude que não as agrade, gerando, com isso, um mal-entendido atrás do outro.

Quando faço estes apelos, sempre, quem os lê acha que não é consigo, que escrevi para outra pessoa, afinal, suas reações agressivas não terão sido culpa sua: foram todas as vezes, meras reações de legítima defesa contra as ofensas perpetradas por terceiros! Se você pensa assim, aceite minhas condolências. Você sofre de egotite aguda.

Há uma método seguro para saber se a culpa é dos outros ou não. Se você se desentende com, no máximo, uma pessoa por ano, fique tranqüilo. É bem possível que o mal-estar não tenha sido responsabilidade sua. Mas se você freqüentemente precisa se defender com veemência de agressões feitas pelos seus amigos, funcionários ou prestadores de serviços, então, você precisa fazer terapia.

As pessoas, em qualquer profissão, tendem a tornar-se difíceis, grosseiras, autoritárias, sempre que progridem na vida ou sempre que são promovidas em seus cargos. No entanto, chegar em cima não é difícil: o difícil é ficar lá. Um verdadeiro líder não é autoritário nem antipático. Se o for, não ficará lá em cima por muito tempo…

DeRose

Satya: a Verdade

O código de ética do Yôga possui dez preceitos, entre os quais estão a não-agressão, a verdade, não roubar, entre outros. Neste artigo discorreremos um pouco sobre satya (a verdade), e de que for este preceito é visto do ponto de vista do Yôga.

A busca da verdade é uma das grandes questões da filosofia como um todo. O Yôga como filosofia prática traz a verdade como uma prática para o dia-a-dia. Como a vivência da congruência: a correspondência entre o que se sente, pensa e como se age. O Yôgin vive cada instante de vida com a mente focada no momento presente. Com a atenção concentrada no aqui e agora se vive verdadeiramente. Sem deslocamento da consciência para o passado ou para o futuro. Não há de se falar em uma busca no plano das idéias, teórica, acadêmica; a veracidade na concepção da cultura Yôgin é de caráter prático e imediato e não uma concepção lógico-abstrata.

Para esta filosofia, toda a palavra proferida é um mantra[1]. Quem realmente aplica satya faz com que cada palavra proferida tenha poder, poder genésico, criador, tendo estas a capacidade de, literalmente, criar a realidade. Se você só fala a verdade, tende a desenvolver o siddhi (poder) de prever/criar o futuro.

Aquele que faz o uso da inverdade tira o poder das suas palavras e passa a não acreditar mais em si mesmo, assim enfraquecendo as ações, as decisões e toda e qualquer atitude em sua vida.

Quando se faz uso estrito da verdade, obtêm-se resultados, mesmo sem tomar nenhuma atitude concreta. (II – 36) [2]

Além do caráter personalíssimo, da aplicação da verdade em nossas próprias palavras e atitudes, existe a questão de sermos passivos mediante o testemunho de inverdades. Conforme vemos no abaixo, em trexos do código de ética do Yôga:

“O yôgin não deve fazer uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de equívoco ou distorção na interpretação de um fato, seja na de omissão perante uma dessas duas circunstâncias”.

“Conseqüentemente, ouvir boatos e deixar que sejam divulgados é tão grave quanto passá-los adiante”.

Desta forma, quando temos consciência de alguma mentira sobre algo ou alguém, devemos nos posicionar. Se tivermos a oportunidade de agir ante alguma injustiça ou boato e não o fizermos, esta omissão equivale à corrupção de satya. Podemos dizer que o omisso é co-autor das inverdades ditas, se podendo agir, não o faz.

Parte fundamental de satya(a verdade) é seu preceito moderador:

“A observância de satya não deve induzir à falta de tato ou de caridade, sob o pretexto de ter que dizer sempre a verdade. Há muitas formas de expressar a verdade.”

Como diz Renato Henriques[3], toda a verdade que dita se transformar em mal deve ser silenciada, mas jamais falceada. Se corrompermos este preceito moderador estaremos não estaremos aplicando ahimsá (não-agressão). A ética deve ser sempre vista de forma sistêmica. Jamais podemos ver e aplicar uma norma de maneira absoluta, pois assim estaremos certamente corrompendo a ética de outra forma. Por tanto, use sempre o seu melhor julgamento para agir sabendo que somos humanos e por vezes cometemos nossos equívocos, como qualquer outra pessoa.

Use sempre a verdade, mas seja cuidadoso com as pessoas. Existem varias formas de se dizer a verdade sem maltratar a outrem.

 

Fabiano Defferrari Gomes 

fabiano.gomes@centrofg.com.br


[1] MANTRA = PODER = PALAVRA.

[2] Pátañjali, Yôga Sutra, p. 76

[3] P. 173.

Somos descendentes de Atlas

O Mito de Atlas carregando a abóboda celeste

O Mito de Atlas carregando a abóboda celeste

Quem nunca se deparou com a imagem mitológica de um homem forte carregando um globo nas costas? (sugestão: colocar a imagem do mito de Atlas na pagina do artigo) Esta é a figura do titã Atlas que após perder a guerra contra os Olympus foi condenado por Zeus a carregar a abóboda celeste por toda a eternidade. Ele literalmente carrega o peso do mundo em suas costas, ou seja, carrega além do seu suplicio, o sofrimento de todos os homens da terra. O cansaço dele é o cansaço de muitos.

 

Quantas vezes não nos sentimos assim, literalmente carregando o mundo nas costas? Carregando um fardo que quiçá nem é nosso, um peso que parece insuportável. Trazemos em nossos ombros os nossos problemas, os de nossa família, os de nossos filhos, de nossos empregados, do patrão, do marido, da mulher; e assim segue-se uma lista enorme de coisas, de situações e pessoas que carregamos diariamente com a ilusão de que podemos resolver tudo. E mais, que é possível fazermos tudo isso sozinhos. Não foi a toa o Zeus condenou Atlas a carregar o mundo nas costas. Este é um suplício digno de um titã.

Mas o que fazer quando nos sentimos assim? A cada dia somos mais pressionados pelo tempo, pelas pessoas a nossa volta. Cobrança de resultados, comportamentos e status. Cada dia é uma luta pela sobrevivência que exige todas as nossas forças. Vemos que nossa abóboda celeste só aumenta.

Esta caminhada pode ser linda e gratificante, mas muitas vezes não conseguimos aproveitá-la como deveríamos, pois já estamos pensando no próximo dia de luta que teremos. Que temos seguir conquistando espaços, abrindo portas, trazendo o metal precioso que coloca os mantimentos na mesa de nossa família.

Àqueles que almejam uma vida plena de realizações e prosperidade, trago notícias que não são boas nem ruins, são apenas constatações: primeiramente, só depende de nós; segundo, não há caminho fácil; terceiro, se não aproveitarmos a caminhada estaremos colocando nossa vida fora. E é sobre isso que devemos colocar nossa atenção, sobre o caminho que percorreremos.

É fundamental que não depositemos todo o peso de nossa felicidade e a dos outros sobre o resultado que almejamos, pois ele pode muito bem não acontecer. Mas e se não tivermos sucesso nesta ou naquela empreitada? Devemos seguir, pois certamente a vida nos apresentará mais várias oportunidades. Por isso devemos estar com as pernas e os ombros fortes, para podermos suportar tantas batalhas quantas nos forem apresentadas. As coisas nunca ficam mais fáceis. Pelo contrário, nossas responsabilidades só aumentam com o passar do tempo, com a experiência adquirida e com as vitórias alcançadas.

Tratemos de viver nossas vidas com intensidade como ensina Fernando Sabino, sabendo que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Divida com as suas pessoas queridas tanto os bons quanto aos maus momentos. Algumas vezes o simples fato de estarmos juntos de bons amigos faz com que tudo fique mais leve e divertido. Não desista, pois coisas maravilhosas ainda vão acontecer enquanto estivermos respirando.

Que este ano de 2009 seja espetacular.

 

Fabiano Defferrari Gomes

Personal Yôga trainer

Educador em desenvolvimento humano

Consultor em qualidade de vida

Psicólogo e advogado

fabianodgomes@gmail.com – (51) 9363-8871