De pai para filha Lado a lado, Fabiana e Fábio Gomes administram cabanha que é referência
Fabiana Gomes se formou na profissão do pai, mas depois resolveu mudar de ramo para tocar os negócios dele. Ao abandonar o direito para administrar, ao lado de Fábio Gomes, a Cabanha Catanduva, Fabiana, 30 anos, venceu a resistência inicial do pai com um argumento aprendido com o próprio criador.
– Ele sempre ensinou que temos de fazer aquilo pelo que somos apaixonados. Minha paixão é estar no meio dos animais – conta.
Então, em 2004, decidiu entrar na faculdade de medicina veterinária e colocar a mão na massa. No caso, nas vacas angus, raça que a Catanduva ajudou a desenvolver desde 1990 e em cuja genética se tornou referência nacional. Gradualmente, assumiu mais funções na administração, e hoje comanda a empresa com um estilo bem diferente do pai. Se Fábio é conhecido no meio rural como homem de opiniões fortes, a filha é tranquila e conciliadora.
– Acho que nos completamos – sorri.
O contraste foi bem recebido pelo meio rural. Fabiana não é novata, nem a ela faltam os predicados de qualquer criador. Desde os oito anos, quando o pai criou a cabanha, em Cachoeira do Sul, frequenta a propriedade. Monta a cavalo (planeja voltar a fazer prova de rédea) e gosta mesmo é de lidar com os animais. ZH conversou com Fabiana em uma época conturbada para a família: os preparativos para a 3ª edição do leilão Red Concert, no dia 28.
Para o remate, supervisiona os detalhes, da escolha dos pratos às músicas que vão tocar quando cada um dos 40 lotes entrar em pista. O orgulho da faixa preta de caratê não recomenda considerar Fabiana frágil. Tampouco abre mão das prerrogativas femininas para lidar com a pressão.
– Quando o leilão acabou, no ano passado, desabei chorando – diz.
A quase veterinária mantém um sorriso fácil ao falar de tudo. Da rotina de administrar um negócio de sucesso, das comparações com o estilo do pai, da disposição do noivo Eduardo Xavier em acompanhar a correria de morar durante a semana na Capital por conta da faculdade e, na sexta-feira, correr a Cachoeira do Sul para administrar a cabanha.
Entre o coração e a razão, o papel de Fabiana na Catanduva é muitas vezes o segundo. Um exemplo é sua opinião sobre a nova empreitada do pai – cavalos crioulos. Apesar de compartilhar desde criança a paixão pelos animais, ela vem sendo “um freio”, reconhece. Criar uma marca e um diferencial genético, como a Catanduva fez com o angus, são objetivos que não saem de vista. Para ela, no campo é preciso manter um equilíbrio entre o instinto e o planejamento, entre o prazer de lidar com a biologia animal – que não é matemática, alerta – e a necessidade de manter baixos custos e contas enxutas.
Se Fabiana passou os últimos meses trabalhando para o remate dar certo nos mínimos detalhes, anseia pela chance de ter mais tempo para dar atenção a quem mais gosta: os animais. Afinal, são eles sua grande paixão.
RODRIGO MÜZELL
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