A dor é inexorável. O sofrimento, não.

Texto por Paola Martins




Vai doer. A partida, a escolha, a porta que se fecha, as pessoas que deixamos (ou que nos deixam) para trás, a palavra não dita, para sempre presa na garganta, as lágrimas abortadas, a saúde que fraqueja, o corpo que dá sinais de cansaço.


É através da dor que nos percebemos vivos. E é somente através dela que podemos experimentar a alegria.


Porque se estamos contentes com tudo, o tempo todo, não estamos contentes com nada, em tempo nenhum. Estamos apenas anestesiados.


Sentir é estar aberto aos altos e baixos. Segundo o dicionário Michaelis, sentir é “ter consciência de uma condição”, é experimentar através dos sentidos. Não sentir, portanto, é estar em um estado abaixo de um estado de consciência suficiente para experienciar a vida em seu máximo: para o bom, e para o ruim.


Então permita-se sentir a dor, perceba e receba o estado de estar vivo que ela lhe proporciona, mas não se deixe consumir pelo estado de sofrimento às vezes atrelado.


O sofrimento e o contentamento podem ser duas faces de uma mesma moeda, no sentido de serem uma opção de ótica.


Por esse motivo, pessoas distintas, sob as mesmas condições de temperatura, pressão e dor, podem ter reações e resultados completamente distintos: um pode encarar através da ótica da dor, enquanto o outro poderá encarar sob a ótica do contentamento.


É claro que a ótica nem sempre é uma escolha, muitas vezes é um condicionamento.


Estamos todos, em maior ou menor medida, condicionados a nos afogar em sofrimento e a nos afastar com culpa ao menor sinal de contentamento.


Porque nossa cultura cultua o sofrimento como a única vida possível para a jornada de crescimento, evolução e autoconhecimento.


Mas não é. É possível, e desejável, aprender, conhecer, explorar, crescer, desenvolver, alçar voos gigantes, através do prazer, da alegria, do contentamento.


Você não precisa, e nem deve, sentir-se culpado por extrair contentamento das coisas de forma suficiente para se fazer feliz.


Seja feliz. Se faça feliz.


Ninguém mais fará isso por você.




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