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A palavra tem poder de gênese

Texto por Paola Martins


A origem do universo, segundo a ciência contemporânea, deu-se a partir de um Big-Bang, um grande “bang”, um som.


O som, portanto, desde que o mundo é mundo, tem poder de criação.


Um objeto é apenas um objeto, até lhe darmos um nome.

A partir do momento em que se coloca um nome é que a coisa toma forma.


A cadeira só é a cadeira a partir do momento em que lhe chamamos por esse nome. Ela assume uma nova forma, uma nova constituição, ao juntarmos as sílabas que lhe dão sua forma.


O menino se torna o que é quando o chamamos de José. Outro seria se lhe déssemos o nome de Pedro. E o mesmo José será diferente quando for apenas Zé. E outro ainda se lhe atribuirmos a alcunha de Jô, mesmo com o mesmo corpo, a mesma matéria, as mesmas células.


O som atribui forma, dá vida.

Seja ele interno ou externo.


Por isso, como nos ensina o professor DeRose, "os pensamentos são como pedras: constróem, soterram e matam".


Precisamos estar atentos aos sons que produzimos, consciente ou inconscientemente.


Nossas funções biológicas básicas produzem sons que nos contam muitas histórias: o coração acelerado, para aqueles que o escutam, pode indicar um arroubo de paixão. A respiração ofegante, se percebemos, pode estar nos dando sinais de cansaço.


Da mesma forma, os sons que geramos conscientemente, através da palavra, dita ou pensada, constroem a realidade do que somos.


Tudo o que existe no mundo é composto de alguma matéria, seja visível ou não. Seria tolice de nossa parte optarmos por nos convencer que o invisível aos olhos simplesmente não existe. Se assim o fosse, não iríamos crer nem no ar que preenche nosso pulmões.


Por isso a palavra, o som, pensado ou falado, tem potência de gênese, de construção de realidade.


É claro que se dirigirmos a palavra “pedra” na direção de alguém será menos concreto do que se atirarmos a pedra propriamente dita.


Mas o objeto pedra só virá até nossas mãos se tivermos a ideia dele primeiro. E a ideia é um som que produzimos em nossa cabeça.


Por este motivo, precisamos colocar cuidado nos sons que produzimos.

Assim como podemos colocar consciência em escutar os sons que nosso corpo nos traz, nosso corpo também nos escuta.


Se lhe falarmos diariamente que ele é fraco, mais dia ou menos dia, ele sucumbe.


Em sentido oposto, se lhe assegurarmos todos os dias que ele tem potência para tomar a forma que desejarmos, eventualmente nos tornamos mais fortes.


Assuma a responsabilidade de construir sua realidade: tudo começa com um som.

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