A sutileza de cuidar do que você é hoje

Texto por Paola Martins





Nosso corpo físico é o único veículo que possuímos para transitar neste mundo. Isto é um fato. Esse motivo, por si só, já deveria ser suficiente para nos instar a cuidar dele, porém não o fazemos.


É preciso ter em mente que o cuidado com o corpo físico está em planos de diversas densidades, e que, no universo, o mais denso sempre eclipsa o mais sutil, como nos ensina o Prof. DeRose.


Em termos de cuidado com o nosso primeiro bhavan, com nosso local de prática primordial, o que seria mais denso e o que seria mais sutil?


Alguns cuidados mais automatizados são incorporados, em menor ou maior escala, pela grande maioria de nós: O banho diário, a higiene da boca e dos dentes.


Para muitos, estes cuidados são tão básicos, que sequer contam como “cuidado”, mas sim como hábito, obrigações extremamente arraigadas.


Todavia, alguns de nós, que por um motivo ou outro, não possuem o privilégio de poder sanar essas necessidades básicas, vêem-se impossibilitados de buscar ou asseio do corpo em graus mais sutis: pois sequer contam com o básico, como água encanada, saneamento, etc.


É assim que a miséria de bens materiais pode acinzentar o âmago de tantos.


Porém, os que conseguem cumprir esta “etapa”, buscam incessantemente por mais: cuidados com a alimentação, com a vestimenta, com os produtos químicos que ingere ou utiliza no corpo, com os remédios artificiais de que faz uso, dentre outros.


Nesta etapa, nota-se que estamos falando de cuidados muito mais sutis, e que muitos ficam de fato presos em questões mais basilares, jamais avançando a tais aspectos, seja por ausência de consciência deliberada, seja em razão das circunstâncias.


Cumpre notar, entretanto, que estes cuidados citados ainda são densos, e que a enorme maioria não é lúcida o suficiente para buscar cuidar do seu corpo físico em níveis ainda mais sutis: emoções pesadas e pensamentos indesejáveis.


Como nos ensina o Prof. DeRose:


“Aquele que só trata da higiene física não está cumprindo sauchan [limpeza]. Esta recomendação só está satisfatoriamente interpretada quando se exerce a prática da limpeza interior. Ser limpo psíquica e mentalmente constitui requisito imprescindível.
Ser limpo interiormente compreende não alimentar seu psiquismo com imagens, idéias, emoções ou pensamentos intoxicantes, tais como tristeza, impaciência, irritabilidade, ódio, ciúmes, inveja, cobiça, derrotismo e outros sentimentos inferiores”.

Você sabe dizer com que frequência seus pensamentos divagam para o indesejado? Ou que se deixa tomar por arroubos de emoção viscosa?


Veja bem, não estamos falando de seguir a linha “gratiluz” e negar a existência da dor, do sofrimento, ou de tudo o que há de feio neste mundo. Até porque, tudo o que negamos, o que buscamos suprimir, nos domina. É por este motivo que muitas pessoas que buscam desmedidamente a aparência da “gratidão” e da “felicidade”, estão, em verdade, enfermos internamente, por viverem em desconexão com a realidade.


Nossa provocação é de que você, uma vez consciente de seus pensamentos e emoções menos agradáveis (e, veja bem, apenas a etapa de tornar-se consciente sobre eles pode levar o tempo de uma vida), busque quebrar os condicionamentos e crenças que te levam até eles.


Não porque você deva, obrigatoriamente, ser grato ou ser feliz o tempo inteiro, e só pensar coisas boas como se não existissem mazelas e sofrimento por todos os lados, como um alienado completo. Mas sim, por estar ciente das reações químicas e físicas que pensamentos ou emoções negativos despertam em você, e por possuir poder sobre si mesmo o suficiente para deixar com que existam, lidar com eles, e, então, deixar eles irem embora.


Fazendo este exercício de forma consciente, constante e disciplinada, talvez, um dia, eles sequer lhe venham mais.


Que tal começar hoje?


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