Autenticidade e trapaças

Texto por Paola Martins

Roubamos muitas coisas, a todo o tempo.


Talvez você esteja lendo isto e realizando protestos internos contra este texto: ”Como assim roubamos? Eu NUNCA roubei nada na minha vida”.


Será mesmo?


Você já parou para pensar no quanto nos apropriamos indevidamente de traços, características, ideias e conceitos alheios?


Seja levando sozinho o mérito por uma ideia que na verdade surgiu juntamente com um colega, seja reproduzindo um discurso que não fomos nós que criamos, seja imitando os vícios de linguagem e trejeitos de um amigo. Tudo isso são exemplos de roubos, porque configuram verdadeira apropriação de coisas que não nasceram conosco, e que tampouco criamos ou de alguma forma fizemos por merecer.


Agora pense no que perdemos quando agimos desta forma.


Toda a maneira de apropriação de alguma coisa que não surgiu de nós, ou que não fizemos jus de receber, é uma espécie de roubo.


E apropriar-se de traços, características, ideias e conceitos alheios é um assalto que priva não apenas o outro, mas inclusive - e talvez principalmente - configura um roubo contra si mesmo: nos priva da oportunidade de florescermos naquilo o que verdadeiramente somos.


Quando ficamos reféns de somente transitarmos pelo mundo externalizando coisas que não nos são próprias, vocalizando pensamentos que copiamos de um filme, ideias que nos passaram no whatsapp, preconceitos que aprendemos no jornal, estamos trapaceando contra nós mesmos, jogando como opositores do nosso próprio time, e fazendo gol contra.


Nossa autenticidade morre um pouquinho sempre que nos deixamos sustentar somente sob aquilo o que veio até nós através de apropriação.


Não existem atalhos. Pegar pra si, sem merecer, ideias, características, pensamentos, emoções, reações, que não sejam nossas é tentar cortar caminho.


Só que este atalho, em verdade, apenas nos afasta do verdadeiro destino: tornar-nos, a cada dia mais, nós mesmos.


Aproprie-se tão e somente daquilo o que você verdadeiramente é. Faça jus e sustente a sua autenticidade, e não a alheia.


Seja de verdade.


Todo o resto é trapaça, é roubo, é ilusão.


Quer saber por onde começar?


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