Liderança Conectada

Texto por Paola Martins




O ano é 2021 e a palavra “conexão” virou sinônimo de disponibilidade de rede wifi. Quando se pensa em estar “conectado”, pensamos logo em exibir a vida no instagram, fazer uma breve consulta ao oráculo google, ou reclamar da vida no twitter.


Ninguém mais pensa nas conexões verdadeiramente humanas, sejam as de carne e osso - no encontro dos olhares, no entrelace dos dedos, no abraço apertado, na união dos corpos em combustão de paixão - sejam as mais sutis - a amizade instantânea, a compreensão silenciosa, no perdão sem as desculpas, o amor recíproco, o desejo do saber, o luto dividido...


Qualquer um que saia do raso, que saia da espuma, é capaz de perceber que não estamos “conectados”, mas apenas e quiçá, “interligados”.


Liderar de forma conectada não consiste meramente em liderar com acesso à internet wireless. A conexão verdadeira exige aproximação. Não apenas física, mas também, e principalmente, emocional com o outro.


Líderes não lideram máquinas, e sim pessoas. E pessoas precisam de pessoas para se sentirem conectadas. A verdadeira liderança, hoje, enfrenta o desafio de permanecer humana através das telas que supostamente nos conectam.


É muito fácil deixarmo-nos iludir com a criação de frágeis laços digitais, que poucas vezes nos unem, e tantas vezes nos separam. Quando você gerará maior conexão com o seu liderado: em uma videoconferência de 3h ou em uma conversa ao telefone de 5min em que você consiga perceber a voz abalada, e oferecendo empatia e estado de presença?


Todos queremos ser vistos. Não é possível que nosso futuro consista em sermos resumidos a nomes na tela ou reproduções da nossa imagem. E, a todos os líderes do agora, é preciso desenvolver as habilidades humanas necessárias para realmente ver seus liderados, com toda a complexidade que trazem.


Em 2020, o MIT Sloan Management Review e A Cognizant entrevistaram 4.296 líderes globais e conduziram entrevistas com 17 executivos para explorar a mudança de atitudes sobre o futuro da liderança durante este momento desafiador em todo o mundo.


O que se percebeu é que embora possa ser verdade que as organizações têm investido no digital, com aspirações de transformação, poucos trabalhadores reconhecem em seus líderes o comprometimento com o desenvolvimento de seus próprios talentos digitais.


Apesar do reconhecimento de que as habilidades digitais serão essenciais para a capacidade da organização de ter sucesso no futuro, os entrevistados relatam seu as organizações não estão promovendo ativamente o desenvolvimento dessas habilidades, particularmente entre os líderes.


A pesquisa aponta, ainda, que as organizações orientadas por um propósito forte focam na construção de habilidades digitais dos líderes e mentalidades adequadas e necessárias à realidade atual.


É o que o Prof. Fabiano Gomes vem dizendo há alguns anos: a chave para enfrentar esses desafios digitais e desenvolver as habilidades necessárias está no propósito.


Invista em você mesmo, em autoconhecimento, em autocuidado, em autocompaixão, para desenvolver, de forma assimilável, as habilidades necessárias para conectar-se profundamente consigo mesmo, liderando a si mesmo, para, só então, estar apto a conectar com as pessoas a sua volta, e tornar-se um líder, na acepção completa desta palavra.


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