Não é você, sou eu...

Texto por Paola Martins

Você conhece essa frase. Provavelmente a escutou ao menos uma vez na vida, nem que tenha sido em um filme.


Esta é uma desculpa, um pretexto normalmente utilizado quando se encerra um relacionamento sem maiores motivos. Qual o problema com essa frase? É que, na maioria das vezes, é dita da boca pra fora.


Na maior parte das vezes, quando alguém diz “não é você, sou eu…”, internamente, a voz do ego está gritando “mentira, é sobre você sim, e eu poderia fazer uma longa lista de coisas que me desagradam em você, e que estão me obrigando a ir embora, mas como sou muito generoso, vou guardá-las para mim”.


Isto acontece porque a nossa racionalidade trabalha arduamente para justificar nossas escolhas, e para proteger nossos frágeis egos.


Usamos o pretexto “não é você, sou eu…” para sair “por cima” de alguma situação. Ou seja, além de, internamente (e talvez para o círculo de amigos mais próximos), você ter essa lista de red flags que estão te levando ao rompimento do relacionamento, você ainda se coloca em um pedestal de “caridoso”, “benevolente” ou “generoso”, pois enxerga como se estivesse dando ao outro uma saída que o poupa, que o preserva de sentir-se culpado pelo fim, de imaginar que haveria algo que poderia ter feito diferente…


Falácias. Toda essa delicada teia de artimanhas escondidas por detrás de “não é você, sou eu…escondem apenas o ego frágil, possessividade assoberbada, e falta de autoconhecimento.


Porque se você se conhecesse um pouco melhor, seria capaz de perceber que é VOCÊ mesmo, e não o outro, que é o problema.


Todos os seus relacionamentos que não deram certo tiveram exatamente o mesmo ponto em comum: VOCÊ.


Não é para ser cruel, nem nada. É apenas para nos fazermos responsáveis por alguns dos resultados que temos hoje. Na maior parte do tempo, o fator de sucesso é interno, não externo. De nada adianta terceirizar algumas culpas.


Se a culpa é inteiramente dos outros, do mundo, da política, da economia, você se coloca em uma posição completamente incapaz de mudar sua realidade.


Mas, se você assume a parcela de responsabilidade que concerne a você, você adquire poder para mudar as coisas.


É claro que não é fácil. O que mais existe no mundo é gente que batalha, luta, rala pra caramba e ainda assim não consegue sair do lugar. Mas uma coisa é certa: ao menos os batalhadores, os que matam no peito, os que chamam para si a responsabilidade, estes têm uma chance de mudar a realidade a sua volta.


Os que ficam deitados no sofá, confortavelmente aninhados na almofada fofa da inércia, contando com a sorte, com o acaso, sem praticarem o mínimo de esforço sobre si mesmos… Estes estão fadados ao insucesso.


Então lembre-se: realmente é sobre VOCÊ, e não sobre o outro. Tudo na sua vida é sobre você. Suas vontades, seus sonhos, seus gostos, suas repulsas, suas paixões, suas preferências, suas trajetórias… Você é o protagonista da sua própria história.


Quando você terceiriza a responsabilidade, por exemplo, por um término de um relacionamento, ao outro (ainda que de maneira sonegada, interna, só de você para você, culpando o outro no seu íntimo), você nega a si mesmo a chance de evoluir a partir daquela experiência.


E isso é a triste reprodução de um amor possessivo. De amores que entendemos que devem servir às nossas vontades e desígnios.


Não raras vezes, esperamos que o outro viva a existência dele em função de nós. E, quando isto não acontece, jogamos sobre o outro, que não se curvou à nossa vontade, a exclusiva responsabilidade sobre o término da relação.


Se você pensa assim, você vê o outro como um brinquedo seu, sua posse. E mais, se você pensa assim, o que você "ama" no outro é uma mera projeção de você mesmo. Porque você sequer se dá ao trabalho de olhar o outro, descobrir o outro.


Amor é cuidar, celebrar e apoiar o outro para o outro, e não para você.


O resto, é sobre você consigo mesmo.


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